quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Pinga nos iiiii - Número 7

Informativo da Confraria de Cachaça Copo Furado – Rio de Janeiro – nº 07

ROCHINHA: A SAGA DE QUATRO GERAÇÕES GANHA O MUNDO

“A cerca de 145 km do Rio de Janeiro, depois de os biquínis de Ipanema darem lugar a favelas, subúrbios industriais e finalmente morros verdes, uma dúzia de barris de nove mil litros vazios repousa em uma nova adega, do lado de fora de uma casa de fazenda colonial portuguesa do século XVIII, cercada por 607 hectares de florestas, pastos e cana de açúcar.”

Com este parágrafo de abertura, começa uma grande reportagem sobre Cachaça no jornal The New York Times, tendo como personagem principal Antônio Rocha, responsável pela produção da Rochinha em Barra Mansa.

Há quatro gerações a família Rocha produz Cachaça em suas terras. A dúzia de barris citada na reportagem americana vai se juntar a outros 17 já cheios, para ajudar a atender a demanda crescente nos EUA por Cachaça envelhecida em barris. Antônio Rocha usa os de cerejeira para envelhecimento de cinco anos, enquanto as versões da Rochinha de 12 e 25 anos são envelhecidas em carvalho francês.

Hoje, a produção da Rochinha é totalmente racionalizada, com aproveitamento total dos recursos da fazenda. A cana é dos campos da família, o moinho é movido a água, a fermentação é natural e, para a destilação, é utilizada energia gerada pela queima do bagaço da cana.

A exportação de Cachaça para os EUA aumentou consideravelmente na última década. Em 1998 eram menos de 100 mil litros; em 2002, 213 mil litros; e em 2007 chegou a 647 mil litros. A maior parte ainda é de Cachaças industriais, mas o mercado de destilados mais sofisticados vem descobrindo a Cachaça com as cores e os aromas das diversas madeiras em que são armazenadas.

Olie Berlic que importa Rochinha para os Estados Unidos afirma que “você está acompanhando os primórdios de uma categoria. O que a Cachaça pode mostrar ao mundo é uma variedade de sabores impossível de se encontrar em qualquer outra bebida. São pelo menos 20 tipos diferentes de madeira de árvores brasileiras, utilizadas para o envelhecimento.”

É esta perspectiva que faz Antônio Rocha pensar na expansão dos negócios, a fim de passá-los para a quinta geração da família, representada pelo seu filho Rodrigo que nasceu em janeiro deste ano. “Não podemos forçá-lo. Mas quero que tenha tanto orgulho da marca e continue produzindo o que fazemos há 106 anos” – concluiu Antônio Rocha.


Baseada na matéria ALLURE OF CACHAÇA SPREADS TO U.S. FROM BRAZIL, de Seth Kugel, publicada no The New York Times, e reproduzida no Jornal do Brasil – Economia, em 20/04/2008.

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